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Poucas vezes a expressão “farra do dinheiro público” – uma instituição brasiliense – foi tão adequada. A Brasíliatur, empresa de turismo do governo do DF, pagou R$ 800 mil reais para ter a festa dos 49 anos da cidade (em abril) divulgada por Edu Casanova no carnaval de Salvador.

Segundo reportagem de Ana Maria Campos para o Correio Braziliense: “O patrocínio foi concedido sem licitação, com base no artigo 25 da Lei 8666/93, que se refere a casos em que a competição é inviável. O artista caiu nas graças do governo do Distrito Federal que o contratou também para o show da virada do ano na Esplanada dos Ministérios. (…) O valor superou o cachê de R$ 492,5 mil que a banda baiana Chiclete com Banana recebeu no ano passado para participar da festa do aniversário de 48 anos da capital. Na mesma ocasião, o grupo mexicano RBD cobrou R$ 760 mil para vir a Brasília. As despesas altas em pagamentos com shows despertaram a atenção do Ministério Público de Contas e do Ministério Público do Distrito Federal que investigam supostas irregularidades dessas contratações. Por conta dos sucessivos questionamentos sobre o preço dos espetáculos pagos com recursos públicos, o empresário César Gonçalves acabou deixando a presidência da Brasiliatur e foi substituído pelo deputado distrital Rôney Nemer (PMDB).”

Mais abaixo, a empresa justifica o investimento dizendo que existe justamente para isso: divulgar a capital fora da cidade e que pretende investir, para a festa de 50 anos em 2010, também em escolas de samba do Rio, São Paulo e no carnaval de Olinda. Nemer revelou ainda que o Asa de Águia apresentou proposta de patrocínio de R$ 1, 5 milhão.

A ação, além de suspeita, é equivocada. Focar o grosso do seu investimento em figurões do mundo artístico parece coisa de amador. Sem dúvida, agências de publicidade extremamente competentes fariam um trabalho muito mais amplo, eficaz e por mais tempo, a nível nacional, por uma conta deste valor. É possível trabalhar o evento de uma maneira infinitamente melhor com os mesmos recursos.

Não é a primeira vez que a empresa – criada em 2007 – é alvo de investigações. Em 2008, a mesma empresa pagou R$ 850 mil para divulgação num evento de música em Lisboa, gerando desconfiança do Ministério Público.

Os cachês astronômicos pagos (um pouco acima da média do mercado, mesmo para as milionárias bandas baianas) revelam os gastos abusivos com o dinheiro público. Pagar quase R$ 800 mil para uma piada como o Rebelde só pode ser brincadeira de mau-gosto (ou superfaturamento).

Em menos de 3 anos de existência a Brasíliatur acumula suspeitas. Com um histórico, literalmente, “rico” assim, suas atividades, no mínimo, devem ser acompanhadas muito de perto…

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