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Posts Tagged ‘gdf’

No momento em que este post é escrito (21:19 de 21 de abril de 2009), aproximadamente 700 mil pessoas se aglomeram na esplanada dos Ministérios, com festividades diversas organizadas pelo GDF que começaram desde às 7 da manhã. Não o que se discutir quanto ao direito de se fazer uma bela comemoração, com atrações musicais e intervenções para os diversos tipos de público. Ainda que esta “festa” não tenha seus valores exorbitantes declarados e os artistas locais relegados ao segundo plano, num show antecipado na torre de TV.

Não há o que se negar, também, a beleza e a importância de Brasília. O fato da cidade ser patrimônio cultural da humanidade, ter o melhor índice de desenvolvimento humano do país e a segunda maior renda per capita, perdendo apenas para Vitória – ES. É indiscutível o projeto excepcional sob a qual ela foi fundada. Suas quadras extremamente agradáveis e com vasta área verde, dentre inúmeras outras coisas.

Isso é histórico, é próprio dela e dificilmente se tira. Mas há, sim, o que se questionar. Não só a sua história mal contada – ou contada apenas pelas vias oficiais – que se “esquecem” dos inúmeros abusos cometidos, dos assassinatos de centenas de trabalhadores, das condições insalubres e desumanas sob as quais esta cidade foi construída. Da exclusão social descarada e impiedosa, empurrando os pioneiros para loteamentos sem estrutura ao entorno do plano de piloto. Na demolição das casas dos candangos que aqui moravam e, claro, atrapalhavam as intenções governamentais e o nobre espaço das asas sul e norte pelos quais as empresas faziam, literalmente, qualquer coisa. Para mais informações recomendo (muito) o documentário “Conterrâneos Velhos de Guerra”, de Vladimir Carvalho, de 1991. Essencial. Fundamental. Imprescindível.

Hoje, em abril de 2009, Brasília padece dos mesmos problemas que toda grande metrópole do país. Quadro este oriundo diretamente do cenário descrito acima. Do descaso com o entorno e as cidade satélites – que se tornou uma das cinco regiões mais violentas do país. Dos preços inflacionados do Plano Piloto, muito em virtude do serviço público, que paga salários irreais aqui e em todo o Brasil.

Seus mais de 1 milhão de carros que tornam seu trânsito cada vez pior. Disputando um mísero espaço nas quadras do plano, entupindo as vias de acesso, provocando congestionamentos enormes, acidentes, stress e, consequentemente, a queda da qualidade de vida tão adorada por quem aqui reside.

A interrogação provocativa que está na home deste blog é símbolo de um questionamento fundamental, inescapável. Vendida como “a cidade de todas as culturas e todos os povos, que reúne pessoas de todo o país, convivendo em harmonia, sem preconceitos, etc, etc, etc”, na verdade está longe, muito longe de ser “a cidade de todos”. A propaganda oficial seria cômica, se não fosse indecente.

Para chegar aos 50 e para as próximas décadas, a capital artificial gerida sob quaisquer custos por Juscelino terá que enfrentar muitos dos problemas que ainda trata com desleixo, em marcha lenta. Resta pouco do “sonho”. A realidade que se apresenta é que, na verdade, os esforços presentes caminham para tentar amenizar o pesadelo. Dos males, o menor. Sob todas as atrocidades que já foram feitas.

“Utopia” é algo que, ao contrário do que se vende, está longe das superquadras de BSB.  Na realidade, Brasília pode ser a primeira distopia concreta do século XXI. Espero estar errado.

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do G1: Festa do aniversário de Brasília deixa um morto e 22 feridos

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Faixa na manifestação: sintomática

A disputa de forças entre o GDF e o Sindicato dos Professores vem se intensificando nos últimos dias. Na mídia, o Correio Braziliense toma partido do governo, produzindo matérias claramente tendenciosas, como essa. Aliás, é curioso constatar como que, em toda greve de servidores, os jornais e a mídia local ficam claramente a favor do governo e contra os grevistas. Os motivos são óbvios. E isto não é exclusividade de Brasília: seja aqui, em Belo Horizonte ou no Espírito Santo, o quadro é sempre o mesmo.

O motivo principal da contenda é a o alto salário médio dos professores de Brasília, beirando os R$ 5 mil reais, o grande aumento que obtiveram nos últimos anos, superando 20% e a queda na arrecadação do GDF em função da crise mundial, que representou perdas de mais de R$ 500 milhões em repasse. O problema é que o compromisso de reajuste tinha sido assumido pelo governo por lei, no final do ano passado.

E há muitas outras questões peculiares à greve que somente os professores sabem bem: plano de carreira, benefícios, etc. A luta da categoria é comum a todos os estados. Não é de hoje que professores são obrigados a se mobilizar em greves por melhor remuneração e condições de trabalho.

O GDF tem jogado pesado, colocando comunicados na TV e na capa de jornais, fazendo “apelo” aos professores pelo fim da greve e tentando atingir a população a seu favor. O Sinpro tem revidado como pode. No primeiro dia de greve, ontem, 60% das escolas foram atingidas.

Não há previsão de solução num futuro breve. E análises superficiais (e apaixonadas) não cabem ao caso. Confira mais informações sobre a greve no Delicious.

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